Venezuela terá sistema de biometria nos supermercados

 O governo venezuelano começará a instalar cerca de 20.000 sistemas de identificação biométricas nos supermercados espalhados pelo país, em meio a crise e escassez econômica que atravessa a Venezuela. De acordo com o presidente Nicolás Maduro, o sistema poderá reduzir a estocagem de alimentos, assim como a confusão e o pânico na hora de fazer compras nos supermercados.

 
Ao longo do último ano, houve longas filas em supermercados por causa da escassez generalizada de bens básicos. O governo alega que a falta de produtos de primeira necessidade – como itens alimentícios e de higiene pessoal – decorrem do que costuma chamar de "guerra econômica", ou seja, a "manipulação da oferta e dos preços" de alimentos.
 
Em princípio, o governo disse que sete grandes varejistas concordaram em instalar os sistemas de identificação através de digitais em suas lojas. A medida é lançada depois de intensa polêmica e protestos gerados pela introdução de cartões biométricos obrigatórios em agosto.
 
No início do ano, houve falha no sistema dos cartões. No mês passado, os proprietários de várias cadeias de supermercados e drogarias foram presos por supostamente criar artificialmente longas filas ao não abrir caixas registadoras suficientes.
 
Em janeiro, cerca de 200 mil tuítes denunciaram as prateleiras vazias em todo o país com a hashtag #AnaquelesVaciosEnVenezuela. Neles, venezuelanos colocaram no Twitter fotografias de prateleiras sem produtos nos supermercados. O governo, que subsidia alguns produtos, estima que 40% dos alimentos venezuelanos sejam contrabandeados para a vizinha Colômbia. Já a oposição compara a introdução do sistema de biometria para controle de compras aos cartões de racionamento cubanos.