NEC quer mudar e investe em Big data no Brasil

 Recém-empossado presidente da NEC Brasil, Daniel Mirabile, ex-Nokia Siemens, sabe os desafios que vai enfrentar nessa jornada. Um deles é mudar o modelo de atuação da fabricante japonesa no país. E uma das grandes apostas é o Big data, que começa a ganhar impulso no dia a dia das teles nacionais, conforme revelou o executivo em entrevista à CDTV, do portal Convergência Digital, concedida durante o Futurecom 2014. No Japão, lembrou o executivo, a NEC comprou os dados de uma grande operadora móvel. A ideia era saber como a massa de pessoas se movimentava em Tóquio. Com a análise de dados foram detectados vários gargalos no transporte público.

 
"Não temos dado pessoal do assinante, mas o celular é quase um GPS pessoal. Com os dados foi possível ver soluções mais eficientes para o transporte". Com relação à privacidade, Mirabile lembrou que não há análise pessoal e disse: cidades inteligentes são cidades mais humanas, baseadas em uso eficiente das TICs. A atuação em novos mercados tem um objetivo: aumentar a lucratividade da empresa no Brasil.
 
Mirabile contou ainda que a NEC Internacional traçou uma meta para ampliar a sua receita vinda de fora do Japão, inicialmente para 16% e depois para até 23%. "Queremos duplicar ou triplicar nossas vendas no Brasil em três anos. A receita da NEC Brasil hoje vem 70% das operadoras, e os 30% restantes se dividem entre os setores público e enterprise. Precisamos crescer muito em governo e junto aos fornecedores do governo, como uma OAS, Odebrecht", sustentou Mirabile.
 
Mesmo representando 70% da receita da NEC Brasil, as operadoras permanecem como um desafio. Segundo Mirabile, hoje, a NEC é vista apenas como uma fornecedora de equipamentos. O objetivo, agora, é criar uma relação de parceria, não apenas por prover a infraestrutura, mas pela participação no desenvolvimento de novos negócios. "Nosso portfólio ainda é pouco usado no Brasil. Basicamente em transporte, menos em IP, com a Cisco, e não atuamos na parte móvel como gostaríamos. Temos as femtocells e as small cells que não vendemos. Saindo do acesso, temos solução de otimização de tráfego de rede. E exploramos muito pouco."
 
As pequenas antenas não decolaram no Brasil por conta de problemas de modelo de negócios, avaliou o presidente da NEC. "Há de se criar opções, uma vez que a Anatel não permitiu a cobrança dos consumidores para o uso das antenas. O mercado existe. Ele pode não ser tão grande como esperávamos, mas tem muito a crescer. O mercado corporativo é um alvo evidente nesse contexto", completou. Assistam à entrevista com Daniel Mirabile.