Algumas companhias tradicionais do setor de TIC ainda não conseguiram encontrar qual a melhor estratégia em relação à computação em nuvem. A NEC, ao contrário, vem trabalhando com negócios baseados em nuvens públicas e privadas, o que permitiu que ela estabelecesse quatro estratégias distintas.
O gerente geral da unidade global de vendas e operações da NEC, Shinya Kukita, explica que a primeira estratégia é interna. A companhia criou sua própria nuvem privada e, a partir dela, vem prestando serviços para as unidades da empresa em todo o mundo.
Na segunda frente, e com base na experiência adquirida com sua própria nuvem, a NEC vem auxiliando seus clientes no Japão a desenvolverem suas próprias nuvens privadas. Também exclusiva no mercado japonês, a terceira frente é a transformação da empresa em um provedor de serviços em nuvem pública, estes baseados em seu próprio data center.
Na quarta frente, esta global, a NEC vem atuando no sentido de ajudar outras empresas – mais especificamente operadoras de telecomunicações – a se tornarem provedores de serviços em nuvem. É sobre esta quarta frente de atuação que o executivo falou com exclusividade ao Convergência Digital, durante a sua visita ao Brasil, no Futurecom 2012, realizado no Rio de Janeiro.
Segundo ele, o objetivo da NEC é ligar provedores e usuários, “porque os serviços em nuvem não são necessariamente amigáveis. É preciso haver um intermediário que ajude o mercado a acessar estes serviços”.
Ainda para Kukita, e para a própria NEC, as operadoras são as empresas melhor posicionadas para a função. “Tecnicamente, qualquer empresa pode se tornar este intermediário, mas é preciso qualificação e, mais que isso, ter relacionamentos estabelecidos com usuários e fornecedores", afirma.
Kukita admite que nem todas as operadoras compartilham desta visão. “Para algumas destas empresas, prover serviços de TI é algo muito diferente do que fazem hoje. Mas elas são intermediários qualificados”, preconiza. Para justificar sua posição, o executivo salienta que prover serviços em nuvem exige fortes investimentos em ativos físicos – basicamente data centers -, por menores que eles sejam. Por seu lado, as operadoras estariam entre as poucas companhias empresas com escala suficiente para diluir estes custos e oferecer serviços. “É nesta direção que elas devem ir”, decreta.
E é nesta direção que a NEC as está ajudando. Kukita afirma que a hospedagem e a oferta de serviços seriam o segundo passo neste processo. O primeiro é a criação de marketplaces que integrem fornecedores e ofertas para o mercado. “Para o segundo, é necessário conhecimento, principalmente no gerenciamento de ativos de TI. Nós adquirimos esta experiência em nossas três primeiras frentes de atuação e podemos aplica-la com nossos clientes”.
Na prática
A estratégia já está em andamento. Um dos exemplos é o contrato global fechado com a Telefônica, para o desenvolvimento de marketplaces para a oferta de serviços em nuvem. “Estamos trabalhando globalmente com eles nesse sentido, inclusive no Brasil”, revela.
A estratégia já está em andamento. Um dos exemplos é o contrato global fechado com a Telefônica, para o desenvolvimento de marketplaces para a oferta de serviços em nuvem. “Estamos trabalhando globalmente com eles nesse sentido, inclusive no Brasil”, revela.
No Brasil, a NEC funcionou como um broker para a construção do marketplace que a Vivo colocará no ar no início de 2013. Foram dois anos de desenvolvimento, onde a companhia, de um lado, se comunica com a operadora para realizar as cobranças e, de outro, provisiona os softwares a serem entregues aos clientes, conforme a demanda.
A Vivo foi o primeiro cliente no País e o modelo – com cerca de 140 ISVs (Internet Service Vendors) homologados – está pronto para ser oferecido a outras operadoras, utilities e outras empresas. Para isso, já há negociações com potenciais clientes como Sebrae e grupo Abril.
Este serviço, inclusive, já está formatado e é oferecido ao mercado como Cloud Service Broker, oferta destinada a operadoras de telecomunicações, provedores de internet, grandes varejistas, concessionária de serviços de utilidade pública como energia e água, instituições financeiras e associações de classe. O objetivo é permitir que estas empresas criem um ambiente para oferecer a seus clientes soluções diversas, como sistema de gestão empresarial (ERP), CRM, softwares específicos, serviço de e-mail, sistemas de segurança, web site, e-commerce, colaboração, entre outros, para facilitar o cotidiano dessas empresas. Tudo isso com suporte oferecido pela NEC.
Pedro Panos Mouradian, diretor de negócios de serviços da NEC no Brasil, explica que este modelo beneficiará as empresas, principalmente as pequenas e médias, as quais, muitas vezes, não possuem condições de adotar uma infraestrutura para implementar uma solução específica. “Funcionamos como um facilitador para que grandes entidades possam oferecer a essas empresas a plataforma cloud, com soluções disponíveis por meio de uma rede de parceiros e suporte técnico”, afirma.
